- ér podem ir preparando o coração aii viu cambada q eu amo demais ? HAHAHAHA '
pois ér esses dois capitulos estam cheio de surpresas espero q goostei JHAHJAAAJA
amo voocs ♥Sexy Biology - Capitulos 24 & 25
Deus do céu. Que tédio! Se eu soubesse que ficaria naquele estado absurdo de marasmo, teria me atirado de um prédio antes de ter que passar por aquele fim de semana.
Enquanto entrava em meu quarto, acendendo a luz e me livrando da escuridão na qual minha casa havia se transformado há algumas horas, bufava e pisava forte, tendo o barulho de meus passos levemente abafado por minhas pantufas do Snoopy. Me joguei estrondosamente em minha cama, bagunçando todos os meus bichinhos de pelúcia, e respirei profunda e lentamente. O dia realmente havia sido vazio, tão vazio como o branco do teto que eu encarava.
Mamãe havia sumido devido a tal da festa surpresa, e mesmo tendo ligado uma ou duas vezes, não era a mesma coisa. Me mantive sentada no sofá da sala o dia todo, me entupindo de sorvete e outras gordices enquanto assistia a filmes de comédia, drama e até mesmo alguns seriados. Agora era hora de fazer alguma coisa da vida, tipo tomar um banho e quem sabe dormir cedinho pra que aquele dia terminasse logo e alguém desse sinal de vida. Quem sabe Manuela e Ewan não desistissem de tirar o atraso e me chamassem pra sair com eles no dia seguinte?
Me sentei na cama, sentindo uma preguiça monstruosa me dominar, originada pelo dia inteiro de inutilidade. Prendi meu cabelo de qualquer jeito, enrolando-o habilidosamente e dando um nó nele, de modo que formasse um coque firme, e fiquei de pé, ignorando a falta de vontade para isso. Caminhei (lê-se: me arrastei) até o banheiro de minha suíte – existem vantagens de se morar sozinha com sua mãe, sabia? - e me tranquei lá, apesar de saber que estava sozinha em casa e não havia perigo de alguém invadir minha residência, ainda mais naquele bairro tão tranqüilo. Tirei o pijama sem pressa, liguei o chuveiro quentinho e me enfiei debaixo dele, deixando somente a cabeça de fora. Molhar o cabelo àquela hora não estava entre meus planos, eu detestava dormir com o cabelo ainda úmido. Sim, sou muito esquisita.
Fechei os olhos, sentindo o calor da água se espalhar por minha pele e relaxar meus músculos imediatamente. Um sorrisinho involuntário surgiu em meu rosto conforme o conforto se disseminava por todas as partes de meu corpo, e por um momento, até ri de minha idiotice. Me ensaboei devagar, brincando com a espuma excessiva que o sabonete líquido formou sobre minha pele, e me enxagüei na mesma velocidade. Estava tão bom ali que resolvi estender um pouco mais minha estadia no box, mesmo já tendo feito tudo que devia fazer.
Quase adormeci por várias vezes, mesmo estando de pé, de tão relaxada que fiquei após algum tempo sob o poderoso jato mágico de tranqüilidade. Quando minha consciência ecológica começou a pesar e eu me dei conta de que estava gastando litros de água potável para nada, decidi que era hora de terminar o banho, e assim o fiz. Me enxuguei vagarosamente e me enrolei em minha toalha, sentindo um leve frio percorrer minhas pernas descobertas. Toda encolhida e me preparando para a brisa gelada que encontraria em meu quarto devido à ausência do vapor presente no banheiro, abri a porta num surto de coragem, e a primeira atitude que tomei foi fechar a janela, sem nem olhar para qualquer outra coisa. Rapidamente, fechei os vidros, olhando distraidamente para fora, e por um momento, meus olhos se fixaram num detalhe bastante atípico.
Havia uma Ferrari estacionada bem em frente à minha casa.
Engoli em seco, reprimindo as lembranças que aquele modelo de carro me trazia, e respirei fundo, procurando acalmar meu coração subitamente epilético. Era apenas uma coincidência, certo? Nada mais do que aquilo. Àquela hora, Pedro devia estar se enroscando com Kelly no baile da escola ou em seu apartamento, mal se lembrando de minha existência, ou então pouco se importando com ela. Assim como eu não dou a mínima para a dele. É, isso aí.
Me virei de volta ao quarto, perguntando-me quando deixaria de ser tão idiota, e foi então que uma forma estranha se revelou sobre minha cama, brincando vagamente com um de meus bichinhos de pelúcia. Assim que meus olhos focalizaram o intruso, não houve tempo sequer para pensar antes que meu cérebro travasse completamente. Apenas pisquei duas vezes, em pane diante do choque entre o que eu esperava ver e o que realmente vi, enquanto o visitante inesperado virava lentamente a cabeça para mim, notando minha presença.
Não demorei a reconhecer o invasor. O problema foi acreditar que ele realmente estava ali, e não era só mais um fruto de minha imaginação. Infelizmente, essa possibilidade foi logo descartada. Claramente, não era nenhuma ilusão; era real demais para isso. Minha mente jamais conseguiria reproduzir uma imagem com tamanho grau de realidade. Enquanto toda essa confusão dominava minha consciência, eu me mantive paralisada, completamente imóvel. Diferentemente dele.
- Hm... Oi – Pedro Lanza disse, sentado em minha cama com uma expressão inocente, e seus olhos determinados se fixaram por um longo momento em minhas pernas nuas, acompanhados de um quase imperceptível sorriso de canto – Pude jurar que seria recebido com um grito, mas pelo visto, você é mesmo imprevisível.
Pensei ter sentido meu rosto esquentar, mas como o resto do corpo estava igualmente quente devido ao susto, ignorei esse detalhe. Todo aquele calor tinha uma explicação, e ela logo se manifestou por minhas cordas vocais. Dois segundos depois que ele se calou, retomei o controle sobre minha consciência e movimentos, e um grito assustado escapou por entre meus lábios. Instintivamente, me encolhi, puxando a barra da toalha mais para baixo numa tentativa idiota de me esconder. Pedro apenas revirou os olhos, como se não houvesse motivo para que eu me comportasse daquela maneira.
- Mas o que... Mas o que você... – comecei, tentando em vão continuar a frase, e ele apenas voltou a me olhar nos olhos, com o rosto ainda inocente – Como você... Como...
- Respira, Trevisan – ele riu de leve, mantendo o mesmo comportamento, como se sua presença ali fosse absolutamente natural – Não quero que você desmaie nem nada do tipo, está bem?
Até parece que não queria!
Fiz o que ele disse, não porque ele pediu, mas porque eu realmente precisava de ar para organizar minha mente embaralhada e as palavras desconexas que disputavam espaço dentro de minha garganta. Quando já havia inspirado oxigênio suficiente para inflar meus pulmões ao extremo, tudo que fiz, para minha própria vergonha, foi gritar novamente. Era difícil demais acreditar, e pior ainda, entender que ele havia invadido minha casa e estava ali, bem na minha frente. Não é o tipo de coisa com o qual uma pessoa se acostuma antes de gritar algumas vezes.
- Eu disse respira, não grita – ele reclamou, fechando os olhos em tolerância ao meu surto infantil, e logo em seguida voltou a me encarar – Calma, tá legal? Eu não sou um espírito sedento por vingança nem nada do tipo.
Ignorei totalmente suas palavras, ainda chocada demais para entender. Pensando bem, eu preferia enfrentar uma passeata de fantasmas violentos a ter que encarar o fato de que Pedro estava jogado sobre minha cama naquele exato momento.
- C-como você... Como você conseguiu entrar aqui? – consegui perguntar, ainda imóvel, e um sorriso que misturava diversão e compaixão surgiu em seu rosto. Eu devia estar parecendo bastante engraçada aos olhos dele; não duvidava nada que ele estava segurando uma gargalhada ao me ver naquele estado vergonhoso - de olhos esbugalhados, boca escancarada e cabelos em pé -, mas como era um excelente ator, tentava atenuar esse desejo, sem ter muito sucesso.
- Digamos que eu dei sorte – ele respondeu com um tom vago, erguendo uma sobrancelha e voltando a mexer no bichinho de pelúcia. Não gostei nada do sorriso que insistia em aparecer no canto de seus lábios; ele me parecia extremamente... Esperto. Resolvi trabalhar em outra pergunta, já que ainda havia muito a ser questionado.
- Pedro... O q-que você t-tá fazendo aqui? – gaguejei, sentindo a resposta imediata de meu corpo manifestar-se em arrepios devido ao fato de que ele estava se levantando lentamente da cama. Tentei fazer com que meus pés desgrudassem do chão para que eu me movesse, mas a madeira do assoalho e minha pele pareciam um só, mantendo-me presa onde estava.
- Sei que você é inteligente o bastante para deduzir essa resposta por si mesma – sua voz suavemente rouca respondeu, acompanhada de um passo lento dele em minha direção e do aumento de minha freqüência cardíaca – Vou lhe dar mais uma chance de fazer perguntas mais elaboradas.
- Vá embora, Lanza – murmurei, sentindo minha voz falhar quase que totalmente devido ao enorme nó que se formara em minha garganta, mas pelo menos a gagueira tinha passado – Você não tem nada para fazer aqui.
- Ah, é aí que você se engana, meu bem – Pedro disse, franzindo a testa e entortando a boca num falso pesar enquanto dava mais um discreto passo em minha direção, resumindo a distância entre nós a pouco menos de um metro – Ainda temos uma noite inteira pela frente... E acredite, ficaremos ocupados demais para dormir.
Um calafrio percorreu minha espinha ao ouvir suas palavras, proferidas com tamanha firmeza que era como se eu fosse obrigada a segui-las. Tudo que eu queria era fechar os olhos e fazer com que ele sumisse assim que os abrisse novamente, mas ao invés disso, minhas íris foram atraídas, como que magneticamente, até onde as dele estavam, me observando intensamente. Ou melhor, desejosamente. Foi impossível não sentir o equilíbrio prejudicar-se, o ar faltar, a estabilidade de meus joelhos reduzir... Impossível não me deixar afetar por sua presença. Indo contra meus instintos, deixei que minhas pálpebras tapassem minha visão por completo, permitindo-me pensar e falar com mais clareza, sem os olhos dele me influenciando.
- Cale a boca – rosnei, agora com a voz um pouco mais firme – Saia daqui, eu não quero mais você perto de mim. Pensei ter deixado bastante claro da última vez que nos falamos.
Pude ouvi-lo suspirar pesadamente, e nem precisei me esforçar para saber que os traços de seu rosto carregavam uma certa impaciência.
- Pensou errado – ele retrucou com a voz levemente irritada, dando um último passo à frente e fazendo com que sua respiração agora batesse em meu rosto, o que por um momento me causou vertigens - Já devia saber que não desisto tão facilmente.
As palmas de suas mãos pousaram sobre meus ombros nus suavemente, acariciando-os e fazendo com que a região parecesse arder em chamas sob sua pele. Ele seguiu caminho por meu colo, dedilhando-o com delicadeza, e notei que sua respiração pareceu acelerar de leve. Eu já não me sentia tão certa quanto a não querê-lo mais; seu toque despertava o desejo mais monstruoso e temido que existia em mim. Meus olhos ainda estavam fechados, evitando que os vários tons verdes de suas íris me enfeitiçassem, mas era inevitável tentar resistir. Somente quando seu dedo indicador escorregou sorrateiramente por entre meus seios, e estava prestes a derrubar a toalha que me cobria com um simples puxão, fui tomada de assalto pela razão.
- Chega! – exclamei, arfando, e afastei firmemente seu pulso com minhas mãos – Vá embora!
Sua respiração denunciou que ele havia soltado um risinho baixo, atingindo meu rosto numa lufada mais forte que o normal. Eu insistia em não olhá-lo, temendo que ele me fizesse ceder de alguma forma se eu o encarasse. Meu estômago revirava em agonia, e eu esperava sinceramente que meus batimentos cardíacos não estivessem altos o suficiente para parecerem uma banda de Olodum bem no meio do quarto. A região de meu colo devia estar levemente avermelhada devido ao calor que se concentrava especificamente naquele local, e a culpa era toda dele.
- Chega você de resistir – ele sussurrou, aproximando seu rosto de meu ouvido para dizer o resto – Não adianta nadar contra a correnteza... Acha que nunca tentei? Acha que estaria aqui se tivesse funcionado?
Seja forte!, uma voz pedia em minha mente, estrangulada. Resista!
- Não acredito em você – arfei, com a voz um pouco mais alta que um sopro, ainda recusando-me a encará-lo – Pare de gastar seu tempo comigo e vá embora.
- A questão é que eu simplesmente adoro gastar meu tempo com você – Pedro murmurou com a voz sinuosa, sem mover um músculo, e a maneira como suas palavras foram pronunciadas me permitiu visualizar com precisão o sorriso malicioso que provavelmente adornava seu rosto – Poderia passar a vida toda te provocando, te atiçando, só pra ver o até onde vai seu autocontrole.
- Idiota! – grunhi, sentindo a irritação crescer dentro de mim – Eu não sou um simples brinquedinho com o qual você pode fazer o que quiser!
Senti Pedro paralisar por alguns segundos, e manteve-se calado por tempo suficiente para que eu tivesse que encará-lo, por mais arriscado que isso fosse. Sua expressão era levemente séria, e seus olhos não hesitaram em olhar fundo nos meus de um jeito quase frio.
- Eu nunca pensei isso de você, Carol – sua voz murmurou, agora grave, demonstrando o triplo de seriedade que seu olhar transmitia.
- Desculpe, o que você disse? Acho que entendi errado, aliás, só posso ter entendido errado! - falei, com a voz um pouco mais alta que o aconselhável pelo ultraje de suas palavras, e um sorriso sarcástico, inconformado diante de tamanha mentira, surgiu em meu rosto – Faça-me o favor, Pedro! Suas mentiras costumavam ser um pouco mais convincentes!
- Eu não estou mentindo – ele negou, sem se deixar alterar por meu comportamento – Você me entendeu errado sim, e não foi só hoje.
- Ah, é? – quase gritei, extremamente sarcástica, sentindo minha raiva aumentar cada vez mais diante de suas negativas ridículas – Então já que estou entendendo errado, me explique, professor! Como posso entender direito?
- Eu jamais te compararia a um brinquedo ou a um mero objeto, por mais valioso e único que ele fosse... Você me entendeu errado, ou talvez minha comparação tenha sido ruim o suficiente pra que você tirasse conclusões erradas – Pedro disse, mantendo-se impassível, e a enorme carga de determinação em sua voz me fez estremecer involuntariamente - Eu não queria dizer nada do que você concluiu. Quando usei a palavra brinquedo, não foi pra te definir, eu juro. Foi uma tentativa mais do que frustrada de tentar explicar o que você... Causa em mim. Mas eu percebi que isso é impossível. Não existem exemplos adequados para definir o que eu sinto.
Fiquei encarando seus olhos faiscantes por alguns segundos, incapaz de tirar alguma conclusão. Minhas pernas tremiam mais que bambu em ventania, meu coração queimava em meu peito, o ar parecia se recusar a entrar em meus pulmões. Por que ele tinha que me falar todas aquelas merdas? E o pior de tudo, por que eu tinha que gostar tanto delas? Levei alguns segundos para conseguir voltar a falar, e quando o fiz, quase toda a raiva havia se transformado em hesitação.
- Eu... – comecei, pigarreando logo que percebi a confusão explícita em minha voz, e sem saber bem como prosseguir, suspirei, tentando encontrar as palavras certas – Não acredito em você, Lanza. Vá embora.
Ele respirou fundo, sem mudar de expressão, e após alguns segundos sustentando meu olhar, assentiu devagar.
- Tudo bem – ele disse, com a voz conformada – Se é o que você quer de verdade, eu vou.
Totalmente surpresa com aquela atitude, busquei algum vestígio de raiva ou irritação em seus olhos, em vão. Tentei entender o que estava acontecendo, mas suas íris estavam vazias, ilegíveis. Ele estava... Cedendo?
Ele aproximou seu rosto do meu, colocando uma de suas mãos em meu rosto, e eu fechei os olhos, momentaneamente paralisada, ao sentir seus lábios tocarem minha pele. Pedro beijou o canto de minha boca por um tempo que me pareceu mais longo que o aconselhável, e imediatamente meu corpo se arrepiou inteiro. Em seguida, ele voltou a se afastar, ainda sério, e deu um passo para trás, indicando que estava indo embora.
- Só não pense que estou desistindo de você – sua voz baixa avisou, persistente e consideravelmente resignada, enquanto eu me esforçava para continuar de pé – Isso jamais vai acontecer.
Pedro virou-se em direção à porta do quarto e começou a andar até ela, me deixando completamente anestesiada e confusa. Então era isso? Bastou uma dose a mais de autocontrole de minha parte para convencê-lo? Era tão simples fazê-lo desistir de mim, mesmo que temporariamente? O que havia acontecido com ele afinal? Onde estava o Lanza insistente e determinado que eu sempre conheci, disposto a praticamente tudo pra conseguir o que queria?
Um sentimento muito esquisito começou a correr em minhas veias. Um vazio me dominou, sendo lentamente preenchido por um frio cortante, como se gradualmente, enormes pedras de gelo estivessem se formando dentro de mim, congelando meu sangue. Eu nunca havia me sentido daquele jeito. Não era um sentimento ruim, mas também não era bom. Era como se a ficha não tivesse caído ainda. Ele realmente havia me obedecido? A idéia me parecia tão surreal que eu precisaria de alguns minutos de reflexão para realmente absorvê-la.
Soltei um suspiro tenso, com os olhos perdidos onde antes o corpo de Pedro estava. O distanciamento dele fez com que automaticamente minha respiração se normalizasse, mas estranhamente, meu coração quase parecia imóvel de tão lentas que eram suas batidas. O gelo crescente dentro de mim o havia atingido, e parecia dificultar seus batimentos, mas não fisicamente. Era como se ele não quisesse mais bater normalmente. Como se, por algum motivo, ele tivesse perdido a vontade de funcionar. Talvez a surpresa pelo conformismo de Pedro tivesse sido maior do que eu pudesse prever. Mas logo eu me recuperaria, e ficaria muito melhor sabendo que bastava apenas um pouco mais de força de vontade para mantê-lo afastado de mim.
Meus olhos foram instintivamente até a porta aberta de meu quarto, fitando o vazio. Minhas pernas ainda pareciam formigar diante do acontecimento épico que haviam presenciado, e se recusavam a fazer qualquer movimento. Apenas fiquei encarando o nada por alguns segundos, até que o som de passos se aproximando do quarto adentrou meus ouvidos. Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, vi Pedro andar energicamente até mim, e em dois segundos, envolver meu rosto calorosamente com suas mãos e colar seus lábios nos meus com fúria.
Capítulo 25
A princípio, não tive reação alguma. Minhas mãos se ergueram até seu peito musculoso, hesitantes quanto a tocá-lo; eu não sabia se o empurraria ou se o puxaria pra mais perto caso eu o fizesse. Meus olhos se mantiveram arregalados diante dos dele, fechados fortemente, tão próximos de mim. Seus lábios se mantiveram pressionados contra os meus, como se esperassem por alguma reação minha, que somente veio quando ele desistiu de esperar e invadiu minha boca com sua língua, fazendo com que a minha involuntariamente o correspondesse.
Meu corpo relaxou assim que ele aprofundou o beijo, e o calor estonteante que emanava dele começou a derreter o gelo que havia se formado dentro de mim numa velocidade impressionante. Deslizei minhas mãos antes indecisas até sua nuca, agora com determinação, e agarrei seus cabelos com força, soltando um gemido aliviado vindo do fundo de minha garganta. A sensação de estar quente novamente, mesmo após somente alguns segundos de frio, era incontrolavelmente reconfortante.
Pedro não deixou que o beijo durasse muito, e logo afastou seus lábios dos meus, unindo sua testa à minha e mantendo os olhos firmemente fechados, como se estivesse com algum tipo de... Dor?
- Eu sei que isso pode soar ridículo... – sua voz rouca murmurou, fazendo com que seu hálito batesse diretamente em meu rosto – Mas, por favor, não me mande embora. Acho que vou enlouquecer se você me recusar mais uma vez. Você não sabe o quanto eu preciso disso... O quanto eu preciso que você me queira.
Ele abriu lentamente os olhos, e assim que suas íris angustiadas devolveram meu olhar confuso, fui capaz de ver a sinceridade nítida nelas. Ele não estava mentindo. Eu não era apenas um brinquedo para ele. Eu era uma necessidade, um vício, uma dependência física. Sem que eu conseguisse controlar ou sequer pensar, vi nos olhos verdes dele, meu olhar refletido. E ele me pareceu muito semelhante ao dele. Igualmente agonizante.
Minha outra metade, a que eu pensei ter perdido, estava implorando para que eu a aceitasse de volta. Ali estava o verdadeiro Pedro novamente, deixando que seu coração me dissesse o que seu orgulho o impedia de dizer. A ferida ainda aberta em meu peito por nosso recente desentendimento gritava sua resposta claramente, fazendo-a abafar todo e qualquer ruído ao meu redor, e tudo que fui capaz de fazer foi externar as palavras que quase me ensurdeciam.
- Eu quero você.
O rosto de Pedro, antes contorcido de agonia, relaxou diante de meu sussurro. Seus olhos ganharam um brilho ofuscante, e um sorriso bobo preencheu seus lábios, dando vida à sua expressão. Me vi sorrindo de volta, diante de tamanha mudança, e novamente senti seus lábios grudados nos meus, com a mesma urgência de antes. Imediatamente deixei que nossas línguas se acariciassem outra vez, enquanto minhas unhas arranhavam sem piedade sua nuca e as mãos dele escorregavam por meu pescoço, ombros e colo. Eu me sentia absurdamente quente agora, irradiando calor, e um sorriso que não soube explicar surgiu enquanto eu o beijava avidamente, envolvendo seu pescoço com meus braços.
Longos minutos depois, ele se afastou um pouquinho de mim, sem desgrudar os olhos dos meus, e com um puxão habilidoso e rápido, arrancou a toalha de meu corpo, deixando-me completamente nua. Me encolhi na mesma hora, arregalando os olhos e sentindo toda a alegria me abandonar junto com a toalha, sendo rapidamente substituído pela vergonha. Ele já havia me visto nua algumas vezes, mas nunca daquele jeito tão desleal. Quer dizer, ele estava inteiramente vestido, enquanto eu não tinha um tecido sequer cobrindo meu corpo. Era bastante constrangedor.
- Não há motivos para se envergonhar – ele adivinhou, avaliando-me dos pés à cabeça como se fosse a primeira vez que me visse, e o ardor em seus olhos faria qualquer mulher um pouco menos insegura que eu se sentir uma deusa – Confie em mim... Você é ainda mais linda assim.
O rubor intensificou-se em meu rosto quando ele disse aquelas palavras, com a voz carregada de algo que se assemelhava muito a sinceridade e deslumbre. Não consegui dizer nada, e quando fiz menção de estender minha mão e pegar a toalha dele, Pedro atirou-a longe, na direção oposta a mim, cancelando todas as minhas chances. Ele segurou sutilmente meu rosto com suas mãos e voltou a unir nossos lábios num beijo ardente, deixando um gemido escapar do fundo de sua garganta quando nossas línguas se encontraram. No exato momento em que isso aconteceu, eu perdi totalmente qualquer tipo de vergonha; tudo que me dominava agora era, novamente, o desejo insaciável que meu corpo tinha pelo dele.
Sem pressa, mas com determinação, coloquei as mãos em seu peito definido e deslizei-as para cima sob o paletó até alcançar seus ombros. Quando os atingi, fiz o caminho inverso, descendo por seus braços e puxando o terno junto. Ele mesmo se desfez dele, enquanto eu mordia e puxava lentamente seu lábio inferior, provocando-o, e o puxava pelo cós da calça em minha direção com uma mão. Assim que o paletó estava no chão, ele segurou meus quadris com vigor, e eu levei minhas mãos até a barra da camisa, desabotoando cegamente alguns botões por ali. Nosso beijo havia se tornado agressivo; soltávamos alguns grunhidos conforme o tesão parecia multiplicar-se, ao invés de reduzir-se.
Pelo que pude presumir, já que não pude olhar e ter certeza, faltavam apenas uns três ou quatro botões para serem abertos, mas Pedro não teve paciência para esperar. Suas mãos envolveram as minhas com firmeza, e ele simplesmente puxou o tecido em direções opostas, fazendo com que os botões ainda fechados pulassem e caíssem no chão. Sorri de leve ao notar sua pressa, e o ajudei a tirar a camisa; em torno de três segundos, ela já estava junto com o paletó e minha toalha.
O toque de seu tórax musculoso com meu corpo macio fez com que ele gemesse mais uma vez, agora mais alto. Suas mãos postaram-se no alto de minhas costas, espalmadas, e comprimiram meu corpo deliciosamente contra o seu. Era perfeitamente possível sentir seu coração acelerado pulsando contra sua pele e, conseqüentemente, contra a minha, e seu perfume masculino já parecia fazer parte de minha atmosfera. Pedro quase me engolia, tamanha era a ferocidade de seu beijo, e eu não fiquei muito atrás, nem um pouco intimidada. Tudo com ele era ao extremo; nada podia ser controlado, dosado ou equilibrado.
Desafivelei seu cinto em dois segundos, puxando-o agilmente e atirando-o em qualquer lugar. A calça social preta estava um tanto apertada na região superior, e o motivo disso provocou uma onda de calor e arrepios por meu corpo. Eu o abracei firmemente pelo pescoço, ficando na ponta dos pés, e ele, provavelmente para me provocar, puxou meu quadril para mais perto do dele, permitindo-me sentir exatamente o que eu já supunha. Ele realmente estava tão excitado quanto eu, ou talvez quase. Era impossível calcular precisamente em meio às carícias tão furiosas de nossas línguas.
Irritada com todo aquele pano ainda cobrindo seu corpo escultural, eu rapidamente abri o botão e o zíper da calça, fazendo com que ela escorregasse depressa por suas pernas, parando no chão. Pedro subiu um pouco seus braços, envolvendo minha cintura e apertando-me contra si, e tratou de chutar a calça, os sapatos e as meias em poucos segundos. Agora sim, estávamos numa luta justa e praticamente sem roupas.
Eu estava realmente precisando de ar, embora meu cérebro viesse tentando rebaixar essa necessidade para beneficiar outras mais imediatas. Fui obrigada a interromper aquele beijo – um dos mais longos e intensos de toda a minha humilde vida -, porém ele fez questão de manter nossos lábios unidos num selinho. Abrimos os olhos, encarando-nos de perto, e recuperamos o fôlego, sentindo as pernas tremerem pelo turbilhão de sensações. Pedro me deu apenas cinco segundos de pausa; logo em seguida, abaixou-se num movimento habilidoso e passou um de seus braços por trás de meus joelhos, erguendo-me em seu colo sem demora. Segurei-me em seu pescoço, sorrindo agora que ele havia finalmente libertado meus lábios, e vi meu próprio ato refletido no rosto dele. Mil vezes mais bonito e sedutor, é óbvio.
- Hm... O que acha da cama? – ele ofegou, olhando para o móvel citado e logo depois se voltando para mim – Quer agir como um casal convencional dessa vez?
Me esforcei para que o fato de que nunca havíamos transado numa cama se sobrepusesse ao uso da palavra casal para nos descrever. Eu não conseguia nos enxergar como um, mas todo par formado por um homem e uma mulher era assim chamado, certo? Então não havia sentido amoroso naquilo; pelo menos eu fingi, para o meu próprio bem, que não.
- Hm... – repeti seu gesto, encarando pensativamente minha cama, nunca antes habitada por nenhum outro homem nu – Se prometer não quebrá-la...
Ele voltou a olhar para o móvel, e dessa vez manteve seus olhos nela, refletindo por dois segundos antes de responder.
- Posso pagar por outra três vezes maior.
Um sorriso de aprovação surgiu em meu rosto, e ele apenas assentiu uma vez, caminhando depressa até me deitar no colchão. Seu corpo não hesitou em se colocar sobre o meu, quente e viril, e minhas mãos o exploraram sem limites enquanto voltávamos a nos beijar ferozmente. Pedro apertava meus seios com desejo, vez ou outra soltando mais ar que o normal em tom de aprovação, e eu deixava que minhas mãos ondulassem por cada relevo em seu corpo, cada músculo tenso, cada veia saltada. Eu jamais conseguiria achar um defeito sequer naquele físico, tudo estava exatamente no lugar certo, na medida certa, e até em volume surpreendente. Como o conteúdo de sua boxer.
Minhas mãos deslizaram pesadamente sobre as laterais de seu tronco, acompanhando sua forma, e pararam no elástico da última peça de roupa entre nós. Pedro movimentou seus quadris involuntariamente contra os meus ao sentir que eu o despia, empurrando a boxer para baixo até onde pude. Ele logo se desfez completamente dela, e eu acariciei sua ereção nua sem pressa. Recebi um grunhido abafado como resposta (ou deveria dizer incentivo?), e envolvi seu membro pulsante com uma das mãos, sentindo outra onda quente correr por minha pele. Eu queria aquilo mais do que imaginei que quisesse, e só agora eu podia sentir a verdadeira dimensão de meu desejo.
Disposta a demonstrar minha vontade imensurável e a fazê-lo me desejar tanto quanto eu o desejava, comecei a masturbá-lo o mais rápido que pude. Ele prendeu a respiração por alguns segundos, provavelmente contendo alguma demonstração maior de excitação, e logo em seguida voltou a me beijar, com o quádruplo de fúria. Após alguns segundos, ele chegou até a morder meu lábio por acidente, tamanha era a sua dificuldade de se concentrar em algum movimento. Agradeci mentalmente pela mordida ter sido fraca dessa vez; não queria ter que ficar com o lábio machucado novamente por sua culpa.
Não demorou muito para que ele atingisse o ponto máximo de tolerância. Rápido, ele separou nossos corpos e correu atrás de sua carteira, esbravejando palavras sem sentido enquanto revirava os bolsos da calça em busca de uma camisinha. Me ergui num dos cotovelos, observando a cena um tanto engraçada, e sorri.
- Ei – chamei, abrindo a gaveta do criado-mudo sem tirar os olhos dele, que atendeu ao chamado com um movimento brusco de cabeça em minha direção.
Tirei da gaveta um preservativo, e alarguei meu sorriso. Apesar de toda a nuvem de confusão em sua mente, ele arregalou levemente os olhos, surpreso, e um sorriso desnorteado surgiu em seu rosto. Pedro logo se ajoelhou sobre a cama, prevenindo-se como devia em poucos segundos e posicionando-se, com os olhos inquietos nos meus.
- Você terá a sua vez mais tarde, eu prometo – ele gemeu, como num pedido de desculpas, e eu logo entendi que ele estava se referindo às nossas posições. Sorri, e assenti de leve, acariciando seus braços, que se mantinham esticados para segurar meus quadris.
- Eu não vou ficar em desvantagem, pode ter certeza – pisquei, recebendo um sorriso malicioso como resposta, acompanhado de sua movimentação firme e avassaladora.
Ele investiu com tanta força que a cama reclamou, rangendo baixo. Conforme ele deixou que seu tronco ficasse na horizontal, rente ao meu, e continuou se movimentando, os rangidos voltaram, mas eu não prestei muita atenção neles. Sua respiração quente contra meu rosto, seus músculos abdominais contraindo-se, colados aos meus, sua virilidade me enlouquecendo por dentro eram fatores mais urgentes. Eu arranhava suas costas, ombros e braços, com os lábios entreabertos e soltando gemidos altos, sem conseguir me conter. Mantive meus olhos abertos, observando cada expressão de seu rosto, cuja testa estava colada à minha e retorcida de prazer, assim como todo o meu corpo. Cada movimento me dava a sensação de ser levada cada vez mais para perto do paraíso, distante de qualquer preocupação ou incômodo. Ele abria os olhos de vez em quando, encarando os meus e sorrindo de leve, até que um gemido mais alto escapasse de sua garganta e o fizesse contorcer o rosto novamente.
O suor cobria nossos corpos com uma fina camada úmida, numa forma física do calor entre nós. Não sei quanto tempo durou, quantas vezes finquei minhas unhas em sua pele, quantas vezes ele apertou minha cintura como se a quisesse estraçalhar. Só sei que, quando finalmente atingimos o orgasmo – primeiro eu, depois ele – e nossos corpos relaxaram sobre a cama, a sensação que tive foi de que eu não conseguiria mais deitar naquela cama sem me lembrar daquele momento. Estava ficando monótono dizer que tinha sido a melhor transa da minha vida; todas as vezes com Pedro superavam as anteriores, até mesmo as dele próprio, e por isso eu já havia desistido de formar qualquer espécie de ranking.
- Me dê... Um minuto – sua voz rouca ofegou, e ele se levantou, um tanto cambaleante, em direção ao banheiro para se desfazer da camisinha. Sorri fraco, fisicamente aturdida, e respirei fundo, sentindo cada parte de meu corpo formigar em êxtase, e minha cintura em especial doer um pouco. Aquilo provavelmente ficaria roxo, mas nada que eu não pudesse justificar com esbarrões em móveis ou qualquer outra desculpa. Virei-me de lado numa velocidade extremamente lenta, puxando as cobertas para cima de mim com algum esforço e ouvindo a cama ranger mais uma vez; ri baixinho.
- Qual é a graça? – ouvi Pedro murmurar, calmo, enquanto voltava do banheiro e se enfiava sob as cobertas ao meu lado, virado de frente para mim.
- Acho que você me deve uma cama nova – sussurrei, com a voz arranhando, e não hesitei em me aninhar em seus braços quando ele os estendeu em minha direção – Esta aqui não gostou muito da agitação.
- Podemos resolver isso amanhã mesmo – ele brincou, rindo baixinho também e me apertando com força contra si – Eu compro a cama e o colchão que quiser, menos os de água. São muito frágeis a movimentações bruscas.
- Tarado – falei, sorrindo, tão baixo que pensei que ele não fosse me ouvir. Eu estava errada.
- Obrigado – ele agradeceu, orgulhoso, e eu ergui meu rosto para olhá-lo. Homens não prestam mesmo.
Revirei os olhos, rindo um pouco, e percebi que mesmo por trás de sua postura divertida, seus olhos continuavam me observando intimamente, brilhando em deslumbre. Aquilo me distraiu por alguns segundos, e quando ele finalmente se deu conta de minha análise, tratou de tirar minha atenção dali.
- Estou muito surpreso com você – ele murmurou, com um misto de humor e seriedade na voz – Até orgulhoso, eu diria. São poucas as garotas que se previnem a ponto de guardarem preservativos em locais tão convenientes.
Ergui uma sobrancelha, esperta, e ele sorriu daquele jeito cafajeste que eu adorava. Sempre soube que aquela gaveta me renderia vantagens morais.
- Eu não sou qualquer uma, Lanza – falei, com uma certa acidez na entonação, e ele provavelmente notou que eu omiti o fim da frase. Como algumas garotas que você come.
- Eu sei disso – Pedro assentiu uma vez, sem alterar sua expressão, e novamente seus olhos radiantes ardiam sob a camada de disfarce em seu rosto – Por que acha que escolhi você?
Meu rosto ficou sério, e eu logo o senti esquentar de leve, como se uma brisa quente o tocasse. Por que ele era tão bom em me envergonhar?
- É claro que não foi só por isso – ele prosseguiu tranqüilamente, notando minha falta de palavras, e seus olhos não apresentavam o menor sinal de blefe ao retribuírem meu olhar – Existe algo de diferente em todos os seus detalhes. Você me intriga de um jeito que nem eu sei explicar. Eu não sei bem por que, nem como; eu apenas sigo o que sinto. Só o que sei é que é você que eu quero. Outra pessoa não serve.
Engoli em seco, com o rosto já ardendo em chamas, e meus olhos não conseguiam se desviar dos dele, intensamente verdes e misteriosos. Às vezes, eu era capaz de ler tudo neles; às vezes, nem o mais simples sentimento transparecia a barreira invisível de seu olhar. Ele sorriu para mim, notando meu desconforto, e deslizou o indicador de uma das mãos na base de meu queixo, puxando meu rosto para mais perto do dele. Sentindo meu coração subir até a garganta, agitado, eu mesma venci a distância restante entre nossos lábios e os selei num beijo carinhoso.
Uma vontade de chorar se alojou em meu peito, mas não de tristeza. Ouvir Pedro dizer tudo aquilo de mim, com uma sinceridade irrevogável, mexeu com a parte mais sensível de meu emocional. Eu não sabia definir exatamente como tamanho sentimento havia ganhado tais proporções, nem por que ele significava tanto pra mim, sendo que mal notei sua chegada e muito menos seu crescimento silencioso. Eu só sabia de uma coisa.
- Pe... – sussurrei espontaneamente, assim que parti o beijo, e meus olhos se fecharam fortemente em agonia. Pude senti-lo um tanto agitado diante de meu murmúrio íntimo, e ele envolveu meu rosto com suas mãos aconchegantes. Só serviu para estimular o sentimento gradualmente fortalecido dentro de mim.
- O que foi? – ele perguntou, cuidadoso, e eu segurei seus pulsos com delicadeza, indicando que estava bem. Respirei fundo, engolindo a hesitação, e me enterrei em seu abraço antes de continuar.
- Eu acho que... Quebrei nosso acordo – murmurei baixinho contra a curva de seu pescoço, prendendo o choro com certo esforço – Pe, eu... Eu estou me envolvendo... Me desculpe.
Ele não disse nada por um momento, apenas respirou fundo, acariciando minhas costas com sutileza. Eu sabia que ele se lembrava de nosso trato quase mudo de não nos envolvermos fisicamente; a conversa do último fim de semana, na Ferrari, ainda estava fresca em nossas mentes. Desejei saber que sentimentos assombravam seus olhos, mas não tive coragem de encará-lo. A possibilidade de ver alguma rejeição neles subitamente me pareceu assustadora. Eu não queria perdê-lo. Eu precisava dele, como já sabia há algum tempo. Eu só não queria enxergar o tamanho de minha dependência, a força de nosso vínculo, e ter de aceitar a realidade. Sempre era mais fácil fugir dela, mas agora eu não podia mais ignorá-la.
- Não se preocupe com isso, Caah – ele sussurrou contra meus cabelos, e depositou um beijo em meu pescoço – Esse acordo nunca existiu... Desde o início, eu sempre estive envolvido.
Minha respiração falhou diante de suas palavras. Não consegui pensar em nada para dizer, muito menos encontrar minha voz para produzir algum som. Só o que eu conseguia sentir era o batimento descompassado de meu coração, o que ele também devia estar sentindo, e o sentimento subitamente grande dentro de mim, crescendo ainda mais e atingindo até as extremidades de meu corpo. Meus pés e mãos formigavam, acostumando-se ao completo domínio daquele sentimento, e foi então que eu me dei conta.
Eu estava perdida. Aquilo era amor.
Mas... Eu não podia amá-lo! Como eu pude ser capaz de violar a única regra que havia imposto a meu próprio coração? Era tão difícil assim me manter a uma distância saudável dele, para que o calor de seu corpo não atingisse minhas barreiras e as aquecesse, derretendo-as aos poucos? Eu não podia ter deixado isso acontecer!
Uma pergunta surgiu em minha mente, fria e dura como um iceberg em meio à lava. Aquelas palavras ficaram pairando em minha cabeça, procurando por alguma resposta, mas antes que eu pudesse suportar o choque que ela trazia consigo, a voz de Pe afastou o medo de mim.
E Pepe?
- Me desculpe – ele murmurou, apoiando o queixo em minha cabeça, e uma de suas mãos afagou meus cabelos protetoramente – Eu não quero que se sinta pressionada. É que... É muito difícil ter que me controlar. Mas agora que as coisas estão tomando esse rumo, e você está começando a se envolver mais do que gostaria, eu posso tentar fazer isso. Por mais que doa, posso tentar me manter afastado de você pelo tempo que quiser...
- Não! – ofeguei, sentindo meu corpo se encolher involuntariamente devido à fisgada em meu peito, causada por suas palavras; meus braços escorregaram ao redor de seu corpo, apertando-o contra mim, e meus olhos se fecharam com força, prendendo as lágrimas que ameaçaram surgir – Eu não quero... Por favor, não vá embora.
A mera idéia de vê-lo se afastar de mim me pareceu absurda, horrível, dolorosa demais para ser aceita. Eu já havia sentido o gosto amargo de sua distância na última semana, e agora que o tinha novamente, não queria mais ter que passar por isso. Pe suspirou lentamente e relaxou em meu abraço, sem ousar prosseguir com suas palavras cruéis.
- Tudo bem, fique tranqüila – ele soprou, apertando-me mais ainda contra seu peito e intensificando seus carinhos – Eu não vou a lugar algum. Vou ficar com você.
Afrouxei a força em meus olhos, mantendo-os fechados, porém agora de um jeito mais leve. Inspirei fundo, sentindo seu cheiro invadir meus pulmões de maneira revigorante, e uni meus lábios à sua pele quente. Pude senti-lo estremecer sob meu corpo, desprevenido, e seu coração reagiu com ainda mais vitalidade, empolgado. Não desgrudei minha boca de seu pescoço, sentindo meu próprio coração pedir por aquele contato, e subi meus beijos lentamente até seu maxilar, parando perto da bochecha. Ele se manteve quieto, apenas apreciando meu agrado, e quando abri meus olhos, vi os dele fechados, acompanhados de um leve sorriso relaxado. A imagem subitamente me fez sorrir fraco.
Ele abriu os olhos logo em seguida, e meu sorriso aumentou de leve quando seu olhar encontrou o meu. Seu polegar alisou meu rosto devagar, e eu o observei manter o sorriso tranqüilo. Não precisamos dizer nada; nossos olhos já mostravam o que estávamos sentindo. Após alguns segundos, ele alargou seu sorriso, enxergando incentivo em meu olhar, e inclinou-se até meu rosto, buscando meus lábios com os seus. Fechei os olhos ao sentir sua boca encontrar a minha, e embrenhei meus dedos em seus cabelos, deixando que seu beijo me levasse para ainda mais longe de todos aqueles pensamentos que me assombravam. Era impossível pensar em qualquer coisa com os lábios dele contra os meus.
Pra variar, acabamos nos empolgando um pouco. Quando retomei uma certa consciência, me vi sobre ele, com uma perna de cada lado de seu corpo, beijando-o com avidez. Pe afundou as mãos em meus cabelos, prendendo-os entre seus dedos com força, agitado sob mim. Sua disposição me assustava um pouco; ele realmente estava disposto a cumprir com suas ameaças de vamos ficar acordados a noite toda? Por enquanto, tudo indicava que sim. Pensando bem, como fui capaz de duvidar de um coisa dessas, ainda mais vinda de Pedro Lanza?
Ele deslizou uma das mãos pelo meu corpo, desenhando a curva de minha cintura e logo em seguida o quadril, e desviou-se um pouco desse caminho, dirigindo-se à minha virilha. Apertei seus ombros com mais força ao sentir seus dedos se aproximarem ainda mais de minha intimidade, e ele calou meu gemido acelerando o beijo quando atingiu seu destino. Minhas pernas se fecharam contra sua cintura e minha coluna arqueou quando Pe fez movimentos circulares na região, e sorriu contra meus lábios furiosos. Minhas mãos acariciavam seu peito, braços, pescoço e nuca com desespero, tirando o melhor proveito possível de cada toque e fazendo com que meus músculos queimassem sob minha pele.
Pe desceu seus lábios por meu queixo, desviando-se para meu pescoço e fazendo arrepios contínuos descerem por minha espinha conforme sua respiração bruta batia perto de meu ouvido. Ele dava mordidas e chupões nada delicados e extremamente deliciosos por ali, sem nem se importar em não deixar marcas. Nada que golas altas, maquiagem ou até mesmo meus cabelos não fossem capazes de esconder. Palavras desconexas e grunhidos baixos escapavam por entre meus lábios entreabertos, e de vez em quando até seu nome era pronunciado por minha voz falha enquanto eu sentia seus dedos se moverem cada vez mais rápido. Nada como a experiência para transformar um homem num deus, fato.
Senti dois de seus dedos escorregarem rapidamente e me penetrarem sem cerimônias, e pega desprevenida, finquei minhas unhas em sua pele, sem nem me importar onde. Gemi alto bem ao pé de seu ouvido, novamente sentindo-o estremecer, e logo em seguida mordi o lóbulo de sua orelha, provocando-o. Ele postou sua outra mão em minha cintura, ainda beijando caprichosamente meu pescoço, e eu já não conseguia mais manter meus olhos abertos. Meu corpo se movia conforme seus movimentos, totalmente submisso, e ele sabia disso. E mesmo que não soubesse, não desistiria de continuar me provocando.
- Está bom, é? – pude ouvi-lo sussurrar sedutoramente contra minha pele, sem nem se preocupar em disfarçar o fato de que já sabia sua resposta e que só queria me instigar ainda mais – Está gostando?
Meus olhos se reviraram, enlouquecidos, e tudo que consegui fazer foi puxar seu rosto na direção do meu, deixando que meus lábios respondessem à sua pergunta com selvageria. Pe acelerou suas carícias, com o corpo tenso de excitação, e eu não demorei muito para envergar ainda mais minhas costas e quase gritar contra seus lábios, sentindo o orgasmo me entorpecer. Sua boca se entortou num sorriso contra a minha, e sua respiração ruidosa batia em meu rosto em um ritmo descompassado.
Levei alguns segundos para recuperar o fôlego e parte de minha sanidade, com os olhos fechados e as mãos emaranhadas em seus cabelos úmidos de suor. Quando o encarei, ainda zonza, uma corrente elétrica percorreu meu corpo, impedindo que meu coração desacelerasse. Aquele homem não era daquele mundo. Não, era claro que havia algo de diferente nele, algo de anormal. Como alguém poderia exercer tanto poder sobre outra assim, sem mais nem menos? Deveria haver alguma lei contra invadir a mente e o coração de uma pessoa com tanta facilidade.
O ar ainda me faltava, mas eu não conseguia ficar alheia ao sorriso safado dele me observando, satisfeito com seu desempenho. Eu não podia deixar aquilo passar em branco. Ele merecia uma dose de loucura no mínimo igual à que me proporcionou, e eu faria qualquer coisa para ajudá-lo nisso. Nem que me custasse a noite toda.
Um sorriso igualmente pervertido surgiu em meu rosto, modificando totalmente minha expressão e fazendo-o cerrar os olhos ao notar tal detalhe. Mordi meu lábio inferior pulsante, encarando sua boca vermelha, e meu coração me incentivou a continuar, batendo ainda mais forte quando a sensação de beijá-lo me veio à mente. Lentamente, reaproximei nossos rostos, unindo nossos lábios de maneira delicada, e não permiti que minha língua se movesse muito acelerada, conseqüentemente mantendo a dele no mesmo ritmo. Pe parecia desconfiar de minhas intenções, hesitante, mas não se negava a retribuir.
Prendi seu lábio inferior entre meus dentes e voltei a beijá-lo, só que dessa vez foi apenas um selinho. Continuei dando beijinhos por sua boca fechada, seguindo em direção ao canto direito, e não parei ao alcançar sua bochecha. Minha trilha de beijos foi até seus olhos, que se fecharam instintivamente sob meus lábios, e eu fiz todo o caminho pelo lado esquerdo até atingir novamente sua boca, sem me esquecer nem da ponta de seu nariz. Ele esperava que eu o beijasse novamente, mas tudo o que fiz foi dar outro rápido selinho sobre seus lábios e descer pelo queixo, beijando toda a extensão de seu pescoço, agora usando também a língua.
Pe não dizia nada, apenas sorria de forma vaga, parecendo gostar demais do carinho para se concentrar na expressão em seu rosto. Seus olhos acompanhavam meu trajeto conforme eu descia por seu peito e abdômen, mordiscando seu mamilo e sentindo seu corpo reagir imediatamente aos meus toques. Vez ou outra eu lançava olhares nada bonzinhos ao seu rosto, sem parar de beijá-lo languidamente, e o via ainda paralisado, ostentando um sorriso e olhar hipnotizados. Demorei-me um pouco mais que o esperado em sua barriga, percorrendo toda a extensa área sem me permitir esquecer um centímetro sequer, até que atingi a parte inferior de seu umbigo. Passei vagarosamente a língua ali, de baixo para cima, e fiz o caminho inverso com uma leve mordida, encarando-o e erguendo os cantos de minha boca num sorriso enquanto meus dentes arranhavam sua pele.
Acariciei suas coxas com as mãos, ajoelhando-me no o espaço entre suas pernas, e o observei por inteiro, sem nem tentar esconder o deslumbre transbordante em meus olhos. No momento em que me disse que ficava mais bonita nua, achei aquilo uma idéia absurda, mas agora que eu analisava cada pedacinho de seu corpo descoberto, percebi que aquela regra definitivamente se aplicava a ele. Só a simples idéia de imaginá-lo vestido me dava pena.
- Você é... Lindo – sussurrei, devolvendo seu olhar com fervor, e seus olhos verdes sorriram para mim, acompanhando seus lábios.
Deslizei minhas mãos pela parte externa de suas coxas novamente, de baixo para cima, e quando elas se aproximaram de seus quadris, as dirigi à parte interna, arranhando de leve sua virilha e fazendo-o soltar o ar como se tivesse sido golpeado. Seu rosto se contorcia de prazer conforme eu seguia pelo lado interior de suas pernas, parando um pouco acima dos joelhos e voltando a me debruçar sobre ele. Recomecei a beijá-lo, começando pela parte interna de sua coxa esquerda, e logo alcancei sua virilha, dando suaves chupões na região enquanto minha mão direita subia por sua outra coxa e se dirigia ao seu membro rígido.
Sem desgrudar meus lábios de sua pele, depositei um selinho na base de seu sexo, ouvindo-o respirar com dificuldade, e vi seus dedos agarrarem lentamente o lençol. Sorri, lambendo-o de baixo para cima até alcançar sua glande, e aplicar um pouco a mais de pressão ao percorrê-la. Pe arqueou as sobrancelhas ao me ver retribuir seu olhar, pedindo por misericórdia, mas eu obviamente a neguei, alargando mais meu sorriso e envolvendo-o com minha boca. Iniciei lentamente meus movimentos, sugando-o com firmeza enquanto me movia, e fechei os olhos, concentrada em fazer daquela vez uma das melhores de sua vida. Não que eu fosse experiente nisso, mas quem sabe um pouco de determinação não ajudasse.
- Por favor... – ouvi Pe arfar, e as falhas em sua voz me indicaram que eu estava no caminho certo – Não pare.
Alisei sua coxa novamente numa espécie de resposta, sentindo-a rígida sob a palma de minha mão, e a apertei, sentindo meu corpo tenso também. Acelerei meus movimentos gradativamente, fazendo-o soltar grunhidos estrangulados, e algumas vezes, deslizava os dentes de leve sobre sua glande, tomando todos os cuidados para não machucá-lo. Pouco tempo depois, ele enterrou os dedos em meus cabelos e começou a empurrar minha cabeça para baixo, guiando-me com uma sutileza notável diante de sua situação.
Eu deixei que ele o fizesse, esforçando-me para agradá-lo por completo, e ao que parece, não levei muito tempo para conseguir. Num tempo menor do que eu imaginei que demoraria, senti Pe movimentar-se da cintura para cima, esticando-se para o lado por alguns segundos e logo em seguida movendo os braços. O barulho de minha gaveta sendo aberta e de uma embalagem plástica sendo rompida me fez erguer a cabeça, parando de provocá-lo, e assim que me afastei, ele esticou os braços, lutando contra a tremedeira em suas mãos para colocar a camisinha. Observando a ansiedade em seus olhos nervosos, tirei o preservativo de sua mão com calma e, apertando a ponta até que não houvesse vestígio de ar nela, a desenrolei sobre seu membro sem dificuldade.
Pe relaxou as costas contra a cabeceira da cama novamente, com a gratidão estampada em seu rosto, e eu sorri em resposta, um pouco trêmula diante de seu estado tão alterado. Mas não me dei por satisfeita, claro.
- Pronto para a minha vingança, Lanza? – murmurei, posicionando-me sobre seu corpo, e um brilho faiscante percorreu seus olhos, assim como seu sorriso alargou-se.
- Sou seu.
Com um sorriso de canto e o coração martelando contra meu peito, deixei meu corpo cair devagar sobre o dele, soltando pesadamente o ar quando cheguei ao fim. Senti as mãos dele subirem por minhas coxas até encontrarem meus quadris, e quando ele os envolveu, voltei a me mover, sem cerimônias. Eu o queria, ele me queria, e eu já o havia deixado esperando por tempo suficiente. Pe praticamente gritava, dolorosamente indeciso entre jogar a cabeça para trás e aliviar sua tensão ou mantê-la erguida para me observar. Eu não ficava muito atrás, acariciando seu abdômen ou então apertando suas mãos com mais força em meu corpo. Minha cama voltara a ranger, agora mais alto, mas nenhum de nós estava disposto a parar.
Pe investia também, intensificando a sensação terrivelmente enlouquecedora que era tê-lo dentro de mim. Era como se bilhões de micro explosões acontecessem em cada milímetro de mim, liberando toneladas de prazer a cada investida. Ouvi-lo gemer sem o menor pudor sob meu corpo, pressionar seus dedos fortes contra minha pele, era simplesmente algo que eu jamais sonhara experimentar, e que agora se tornara extremamente necessário para minha sanidade. Era como se eu fosse ficar doente caso não pudesse tê-lo.
O tempo passou impiedosamente; não sei quantos minutos ficaram para trás, mas sei que foram consideravelmente muitos, antes que ele soltasse um último gemido, que mais me pareceu um urro, e com uma investida mais longa e forte, atingisse o clímax. Seu corpo relaxou exausto sobre a cama, e eu me sentia igualmente cansada, mesmo não tendo atingido meu ponto máximo por pouca diferença. Desacelerei meus movimentos, sem exigir que ele continuasse, e quando fiz menção de me curvar sobre ele, Pe rapidamente ergueu seu tronco, deixando-o rente ao meu. Suas mãos seguraram minha cintura com firmeza enquanto seus lábios se uniram aos meus calmamente, e com algumas últimas e profundas investidas, eu consegui chegar ao orgasmo pela terceira vez naquela noite.
Quando um gemido involuntário escapou de minha garganta, ele subiu suas mãos até meu rosto e partiu o beijo, mantendo seus lábios pressionados contra os meus por alguns segundos. Passei meus braços fracos por seu pescoço suado e ele afastou seu rosto do meu, olhando-me fundo nos olhos.
- Eu... O que... Meu Deus, Carol! – Pe sussurrou, franzindo levemente a testa numa tentativa de buscar as palavras e sorrindo de um jeito maravilhado e cansado ao mesmo tempo – Você... Isso foi absolutamente... Incrível!
Sorri abertamente, afagando os cabelos molhados de sua nuca, e ele voltou a me beijar com intensidade, rapidamente se afastando de novo. Não havia fôlego para continuar.
- Digamos que eu aprendo rápido – murmurei, mantendo nossas testas unidas, e ele sorriu em resposta, esperto.
- Sorte a minha – ele suspirou, rindo um pouco logo em seguida, e me roubou um selinho – Acho que precisamos de uma pausa, e eu preciso ir ao banheiro. Já volto, me espere aqui.
- Não, acho que vou dar uma volta enquanto isso – revirei os olhos, me desvencilhando de seu corpo contra minha vontade, e ele apenas riu, levantando-se. Me deitei na cama, sentindo meu corpo agradecer, e encarei o lugar onde antes se encontrava o corpo de Pe. Meus olhos passearam vagamente pelas curvas do lençol enquanto meu coração se desacelerava aos poucos. Rolei até ficar sobre o travesseiro dele e afundei meu rosto ali, respirando fundo e sentindo seu perfume invadir meus pulmões, misturado com seu cheiro natural, que, para mim, conseguia ser ainda melhor que o aroma artificial que ele usava. Se eu já sabia que era maluca? Sim, há muito tempo.
Alguns segundos depois, senti Pe se deitar calmamente na cama, no lugar onde eu estava antes de rolar para o outro lado, e sua mão deslizou por minha cintura, envolvendo minha barriga e me puxando pra mais perto de seu corpo. Não ofereci a menor resistência: virei de lado, ficando de costas pra ele, e deixei que nossas curvas se encaixassem confortavelmente. Fechei tranqüilamente os olhos quando ele respirou fundo em minha nuca, e me encolhi mais ainda com o arrepio que sua ação me causou.
- Soninho? – ele cochichou, encaixando suas pernas entre as minhas e alisando minha cintura por debaixo do cobertor.
- Hm... – suspirei, sorrindo sem saber direito por quê – Talvez.
Pe soltou um risinho ao pé de meu ouvido, me arrepiando novamente, e respondeu:
- Aproveite pra descansar enquanto eu estou bonzinho.
Meu sorriso aumentou ao ouvir sua ameaça, e ele depositou um beijinho na curva de meu pescoço.
- Vai ficar malvadinho depois, é? – sussurrei, ouvindo-o rir baixinho novamente perto de meu ouvido.
- Se eu fosse você, não usaria o diminutivo.
Arregalei os olhos, sentindo meu corpo esquentar diante de sua firmeza, e nem pensei em responder. Coloquei minha mão sobre a dele e fiquei brincando com os nós de seus dedos vagamente até apagar por uma meia hora, assim como presumo que ele tenha feito.
Pra começarmos tudo de novo depois, claro.
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